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SOU MAIS FELIZ AOS 50!

Eu sei que no imaginário popular uma mulher de 50 anos é quase uma idosa, está vários quilos acima do peso, tem dor na coluna, sofre com calores, insônia e talvez depressão, as pernas têm varizes e o olhar já perdeu aquele brilho de quem espera muito da vida. Mas o que eu vejo no espelho é tão diferente de tudo isso que não me canso de citar Rita Lee que, num momento inspirado, viu-se como parte da primeira geração de mulheres que chega aos 50 sem referências. Afinal, nossas mães e avós não nos servem mais de parâmetro.

Gosto de ver a passagem do tempo por três porta-retratos que tenho num móvel da sala. Em cada um deles, uma foto minha nos aniversários de 30, 40 e 50 anos. Ah, como esses retratos falam de mim…. Ou será que sou eu que me recordo exatamente de quem eu era em cada uma dessas idades? O que sei é que a foto de que mais gosto, a que me acho mais bonita, mais segura e feliz é a última. Sabe quando de repente tudo na sua vida começa a fazer sentido? Você se recorda dos momentos mais difíceis e vê que as decisões que tomou – e depois se arrependeu amargamente – eram, na verdade, as corretas. Os ciclos vão tomando forma e você vai vislumbrando que a vida é um caminho que só começa a ficar mais iluminado após cinco décadas de andanças.

Aos 50 anos, eu finalmente aprendi que, no amor, mais vale escolher que ser escolhida. Tornei-me melhor observadora e descarto sem dramas o que não me interessa, o que não vai acrescentar. Não tenho mais tempo nem paciência para o que não combina comigo, pois já me conheço o suficiente e sei o que pode ou não dar certo. Se estou fechada? Só para a superficialidade das relações, para as carências de que não quero participar.

O desapego começa a fazer parte de minhas escolhas de forma sistemática e consciente, e passei a dar mais valor às experiências que aos bens materiais. Acho que a maior proximidade da morte me deu outra dimensão das verdadeiras urgências na vida. Então, de repente, a ansiedade foi se desfazendo e trazendo mais calma e paz ao meu dia a dia. O desapego nos dá asas.

O medo do futuro também está diminuindo. Se me deparo com um dilema, uma situação complicada, recorro ao meu arquivo de lembranças e logo vejo que já enfrentei momentos em que tudo parecia insolúvel, mas que com o tempo foram se resolvendo. O desejo de controlar os acontecimentos para que nada dê errado hoje é apena uma miragem. Começo a ansiar pela mudança, pois me sinto curiosa para o que o futuro me reserva e preparada para ele. Não tenho mais tempo a perder com a eternidade das rotinas que eu penso controlar.

E quando você chega nesse ponto da vida com saúde, vitalidade, energia e muita vontade de aprender e contribuir para um mundo melhor, a frase da Rita Lee faz todo o sentido. Você não só está na melhor fase da sua vida, como é a primeira geração a experimentar isso.

Fonte: http://amp.osegredo.com.br/sou-mais-feliz-aos-50/

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